Nesse blog sou um comentarista do mundo. Acho muito legal diversos outros blogs bem mais dinâmicos, ou com muito mais sentido, como o da Cabeçalho www.cabecalho.com.br, em que Jacques arquitetou não apenas um site "rato", mas um site "ratazana", muito mais a ver com internet do que um monte de bloguezinhos por aí. O próprio Giralata é um blog simples, se destina a falar de um programa acessível aos assinantes Net em Osasco e também, como já disse, aos comentários deste redator-homem-em-busca-de-algo-não-se-sabe-o-que. E então, minhas exclamações entram em cena como uma metáfora de mim mesmo. E são tantas exclamações. Domingo a tarde, um homem invade a emissora, rende um segurança e consegue entrar no ar ao vivo e armado, gerando momentos de tensão e pânico ao telespectador e, óbvio, às vítimas operárias da TV que lá estavam e corriam risco real. É impressionante, até pensei que pudesse ser uma armação, mas não foi. É o mundo mesmo que está enlouquecendo. Vejo cada dia mais pessoas na rua falando sozinhas, insanas ou à beira da insanidade completa. É sério: antigamente se via, sim, loucos na rua, mas tenho certeza que hoje a população louca é muito maior. Fora que há um movimento antimanicomial que defendo, pois não adianta enclausurar o louco num hospício. É uma questão de carma social. A humanidade, na sua luta por preservação dentro dos moldes ocidentais de vida, acaba destruindo o seu próprio habitat e a loucura, no sentido negativo da palavra, chega e se estabelece, criando cada vez mais raízes e atingindo um número maior de pessoas, dia após dia. No ano passado, trabalhei com a Márcia Goldschmidt, a apresentadora que teve seu programa invadido domingo passado por um louco armado. Presenciei coisas do arco da velha e senti esse lance da ampliação da loucura a que me refiro nesse texto. Foram tantas situações que seriam surreais se não fossem insanamente perigosas. Pretendo escrever um texto só sobre situações loucas que vivi como jornalista, mas me atenho aqui ao caso de Luana (nome fictício), uma mineira de Cataguases que encontrei na porta da Band com olheiras profundas e cheirando mal. Era uma pessoa inteligente, alfabetizada, que saiu de casa e esmolou pela estrada até chegar na emissora afim de ser pauta do programa. O que ela passou para conseguir trazer o marido e denunciar para o Brasil que apanhava, ninguém merece. E o pior de tudo, foi terminar a pauta perdoando esse marido e enchendo a minha paciência porque faltava R$ 10 da passagem até a rodoviária e sei lá mais o que. Foi muito chato, mas também, não defendo essa revolta toda de algumas pessoas contra a mídia. A mídia não tem culpa, a loucura vem de fora.
Falo isso porque fui recentemente convidado para participar de um protesto contra a nomeação de uma avenida em frente à TV Globo de São Paulo. Os "revoltados" não querem que a avenida leve o nome do jornalista Roberto Marinho. O protesto vai nomear "pelo povo" a rua com o nome do também jornalista Wladimir Herzog, morto pela ditadura militar. Puxa, mas esse povo quer me ver morto mesmo. Imagine eu, que trabalho em televisão, ADORARIA trabalhar na que talvez seja a única emissora de verdade do Brasil, a Rede Globo, ser visto no telejornal da Igreja Universal protestando contra a Globo, contra o capitalismo vigente e defendendo o comunismo-socialismo-stanilismo-do-caralho-a-quatro depois de já ter quebrado a cabeça milhões de vezes e sofrido o horror do desemprego e da falta de leite na geladeira. Puxa, nem levei pelo lado pessoal o convite porque creio que meus amigos talvez não conheçam a minha história e se lembrem somente daquele Jesse porra louca no final da adolescência (que nunca acabou) protestando em frente a um teatro porque nossa peça foi censurada. Pelo amor de Deus, é como diz o Arthur Moreira Lima, "precisei me renovar para não morrer". Acho que já aprendi a lição e, podem ter certeza, nunca seria visto num protesto contra a televisão e contra uma homenagem ao maior empresário de comunicação que já existiu no Brasil. É suicídio, galera! Podem me chamar de vendido, devo ser mesmo, sei que tenho princípios e batalho aí pela cultura, mas se me acham vendido, aceito ofertas. Deve haver quem me critique, quem me ache meio alienado, acomodado... Nunca mereci ter meu blog linkado no "Atire no dramaturgo", mas admito que sou fã desses caras corajosos, que metem as caras, criticam o mundo, são independentes, não temem patrões e são honestos pra caralho. Um salve para todos eles, mas por favor, me convidem para protestar contra coisas mais importantes. De que adianta homenagear o Herzog agora? Vai saber o que não seria desse cara se ele estivesse vivo. Lógico que respeito aqui toda a luta de heróis que sonharam um Brasil humano e morreram nos porões do Dops e do DOI-CODI, mas verdade seja dita: muitos desses caras hoje integram o governo, estão ali com o Zé Dirceu e vocês sabem muito bem do que estou falando. Protestar por protestar, acho infantilidade e, pior, envelhecer dando murro em ponta de faca!
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