
A idéia é ótima, há um questionamento tecnológico importante e interessante, mostra o conflito homem x máquina, mas esbarra na falta de ousadia artística. Mesmo assim, compensa assistir "Simone", com Al Pacino no papel de um cineasta incompreendido que recebe de herança de um gênio lunático da informática um computador especial que cria uma personagem virtual perfeita, que pode ser alterada indefinidamente por quem opere o programa. Com o sucesso de seu primeiro filme tendo como estrela Simone, uma personagem virtual, o cineasta Taransky consegue prestígio e reconhecimento, o que lhe faltava para dar um fim na crise de auto-estima que o assolava desde o dia em que foi demitido de um estúdio de Hollywood por sua ex-esposa.
É legal ver o Al Pacino sessentão conservado manipulando sua criatura. Acrescentando em Simone expressões de Aldrey Hepburn, alterando pintas e sobrancelhas e remodelando sua teatralidade. Mas ele deixa a vaidade e a prepotência falarem mais alto e decide não contar para o público que a tal personagem não existe na vida real. É o momento que remete à "2001, uma odisséia no espaço". Assim como no clássico de Kubrick, há o conflito entre homem e máquina, criador e criatura. Isso causa na imprensa uma tremenda expectativa em torno de quem seria Simone, mas ela só aparece ao público virtualmente. Transforma-se numa celebridade fake. Taransky se revela um adepto do "Faça você mesmo" e do "Engane o seu público" e essa atitude punk provoca na personagem virtual um sentimento de fúria. Ela decide se vingar de seu criador e adquire vida própria. A trama surpreende em seus desdobramentos, mas fica aquele sentimento de que esse filme seria um clássico nas mãos dos irmãos Watchowsky, criadores da trilogia Matrix.
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